Batman – O Cavaleiro das Trevas

24 de julho por Pedro Tavares | 2 comentários

Em janeiro deste ano Batman – O Cavaleiro das Trevas ganhou um novo rumo e também novas proporções quando Heath Ledger foi achado sem vida em seu apartamento em Nova Iorque. Muito se falou sobre o efeito do seu último personagem feito do início ao fim (Ledger deixou um filme de Terry Gilliam incompleto) e os efeitos na mente de Ledger de viver o doentio Coringa. Posso dizer com total certeza que isso realmente não mudou nada, o mérito recebido de todas as críticas lidas é do conjunto e não apenas do ator que morreu acidentalmente.

O longa dá um novo rumo aos filmes de heróis, mantém a atmosfera da ação non-stop e também carrega a psicologia e a elegância de um thriller policial da década de setenta como O Poderoso Chefão ou Taxi Driver. O roteiro que não dá um segundo de pausa para a mente e corpo do espectador, foi escrito por Christopher Nolan e seu irmão Joseph. Juntos, escreveram o grande Amnésia e O Grande Truque.

Muito se fala sobre a atuação derradeira de Ledger e o sensacional Coringa, mas o filme na verdade se trata de Harvey Dent, promotor que luta para limpar a máfia e a corrupção policial em Gotham e encontra em Batman um apoio, mesmo que Batman continue sendo um justiceiro fora-da-lei. Para os entendidos, Dent também é conhecido como Duas Caras. Enquanto Dent tenta limpar a máfia, ela arma seu esquema de fuga, Batman fica com o trabalho físico e vai atrás dos fugitivos e Coringa instala o caos para todos, sugerindo que cada um tem um pouco de caos em si, que só precisamos de uma forcinha com suas belas piadas de péssimo gosto. O Coringa é um personagem importante para a trama, pois ele cria a semente na mente de todos, colocando valores e caráter de muitos para uma reflexão mais profunda, com diálogos incríveis e ações caóticas. Sim, ações, pois Coringa age, não planeja.

Todos com um propósito, com um motivo (ou falta de) para estar ali e um conflito grandioso para cada personagem. É assim mesmo, um segundo sem respirar e você perde algo importante, no meio de tantas mentes complexas que o filme entra em um novo mundo para os heróis e o cinema.

Quando Dent depois de tantas ameaças roteirísticas vira o Duas Caras literalmente, estamos em um momento da trama que tudo está por um fio, que valores são discutidos e a moral cerca a mente de todos os personagens, que não estão seguros em nenhum segundo da trama. Todos os elementos tem seu tempo para acontecer, mas não deixam de ser complexos no meio de tantos acontecimentos e corrupções, explosões e valores perdidos.

Desde Batman Begins Nolan ensaiava um novo caminho para o homem morcego, algo mais sombrio e instrospectivo. Mas com este novo filme, ele foi longe, muito longe. Batman – O Cavaleiro das Trevas é um marco para o cinema, seja ele blockbuster ou não, declarando uma nova era para filmes de ação. Ação inteligente e divertida e com atuações brilhantes.

“Batman – O Cavaleiro das Trevas” EUA, 2008 de Christopher Nolan com Christian Bale, Heath Ledger, Morgan Freeman, Aarock Eckhart.

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