Um Beijo Roubado
Kar Wai não mudou seu lado introspectivo e poético, usando muito bem uma esquina de Nova Iorque com takes belíssimos, que remetem ao seu (já classico) Felizes Juntos. As metáforas são mais claras dessa vez, talvez para guiar o público americano não acostumado ao trabalho do diretor e também foi preciso usar mais diálogos, que infelizmente não funcionam por todo o filme, mas quando funcionam, arrancam algo indes critível da platéia, que é o caso dos diálogos entre os personagens de Norah Jones e Natalie Portman, já por outras estradas dos Estados Unidos, também trabalhadas com uma fotografia espetacular. Wong Kar Wai também usa uma arma comum que é tirar o foco inicial da reta para que tudo faça sentido depois, o que é comum em histórias de amor, mas nunca soarão como algo banal. E a riqueza do roteiro que as vezes morde e outras assopra, ajudam a direção mais instrospectiva, mas a escolha de levar um andamento mais linear acaba fazendo que o filme perca o bom ritmo inicial, mas que mais tarde é recuperado.
Norah Jones e Jude Law não ajudam muito, mas com uma forcinha do espectador de esquecer que Jones é uma boa cantora e Law o galã das garotinhas que esquece de atuar, tudo acaba bem. Falando em tudo acaba bem, isso não é algo comum na filmografia de Kar Wai, mas o que é trabalhar o final feliz com tantas tragédias emocionais feitas com tanto talento anteriormente?
“Um Beijo Roubado” 2007 de Wong Kar Wai Com Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz e Natalie Portman.
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