Na Natureza Selvagem
08 de junho por Pedro Tavares | 2 comentários
Sean Penn volta a cadeira de diretor 6 anos após o fraco A Promessa, que mesmo com Jack Nicholson, não se salvou da direção fraca. Em Na Natureza Selvagem a história é diferente. A direção é competente, usando as belezas naturais dos Estados Unidos a favor, com poucas, mas felizes ousadias técnicas, realçando a proposta do filme.
Ao contar a breve história de Chris McCandeless, Sean Penn esquece a carne e a pele e vai para o sobrenatural sem que o espectador perceba e conta a aventura espiritual que esse menino passou ao abandonar os planos famíliares, oa pais, queimar sua identidade e toda sua grana, abandonar seu carro na estrada e seguir até o Alaska, à pé, convivendo com todo o tipo de gente, passando por dificuldades óbvias como a fome e o cansaço e outros obstáculos absurdos. A história é contada pela irmã, talvez único laço de amor com o mundo que Chris tinha. Chris agia e falava com sabedoria e a cada canto que passava, deixava um grande rastro de sua breve, mas intensa convivência, que moldam não só a vida de Chris, como das outras pessoas que foram encontradas e deixadas pelo caminho.
Emile Hirsch (idêntico ao verdadeiro Chris) se confirma como um ótimo ator e o merecido papel de ator principal veio em boa hora, já que o garoto leva o filme nas costas. O filme nos leva a questionar tudo e todos à todo tempo, mas não para o que acontece na tela e sim para nós mesmos. Sobre o valor de tudo, sobre o por quê de tudo. E é difícil ver um filme assim sem soar piegas, mas isso não acontece.
A tendência de virar um road movie emotivo, não vira fato, mas ameaça por algumas vezes. A adaptação dos relatos de Chris para a telona é impecável, as atuações são ótimas, técnica ótima e a direção é boa. Este se confirma como um dos melhores filmes do ano.

“Na Natureza Selvagem” 2007. De Sean Penn com Emile Husch, Vince Vaughn, William Hurt, Marcia Gay, Jena Malone.
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Tags: Críticas
Mesmo sendo a história mais admirável de todas, se não fosse pelo genial diretor e pelo ator tão hábil, o filme não teria sido o mesmo. E é claro, a trilha sonora; Eddie Vedder realmente acertou nessa. É um filme brilhante. Uma das poucas vezes em que vejo a versão cinematográfica de um livro ser tão boa.