I’m a Cyborg, But that’s Ok
Falando em metáforas, é lógico que existem no roteiro, mas de forma leve, bonita, já que o longa toca no assunto do amor, do sentido da vida e da reabilitação mental de uma paciente. Cha Young-goon é hospitalizada em uma clínica psiquiátrica e acredita ser um ciborgue e prefere se alimentar com baterias e falar com aparelhos eletrônicos e imaginar um mundo ao seu redor. Logo, ela conhece os outros pacientes que tem problemas similares ao seu, a partir dai navegamos um pouco por cada vida, para termos um núcleo concreto e a história de Cha Young faça um sentido emocional forte para o espectador, logicamente com todo poder de choque do diretor e de uma direção de arte absurdamente bonita, provavelmente uma das mais bonitas que já vi. O fato de usar (muitas) cores vivas e abusar de contrastes em uma história que cairia bem em um local escuro e frio dá um ar completamente diferente para a história, chegando ao fantasioso que é o alvo do filme.
Cha Young tem ligação com o passado muito forte, vindo da sua avó, no qual ela guarda a dentadura e acredita que seja um passaporte para o mundo dos ciborgues, ao conhecer Park ll Soon que usa uma máscara de coelho e consegue roubar as fraquezas das pessoas, para usar (nem sempre) a seu favor, Cha Young começa a ver a vida de uma nova forma, tomando coragem para enfrentar o que vive.
É lógico que não é um filme convencional, um romance ou um drama água com açúcar, Wook é um diretor ímpar, que não vai fazer um filme “normal” nunca. Sempre haverão diálogos para se pensar e se levar por boa parte do longa, atitudes chocantes e comportamento animal vindo de seres humanos. Tudo isso coberto com uma produção impecável, arte absurda e atuações maravilhosas. Isso está presente no filme do diretor que saiu em 2006 e até hoje não saiu em DVD no Brasil.
“I’m A Cyborg But That’s Ok” Coréia do Sul, 2006. De Chan Wook Park Com Lim Su Jeong, Rain, Choi Hie Jin.




