Estômago

02 de abril por Pedro Tavares | Nenhum comentário


Teoricamente cada país tem seu método único de fazer comédias. Logicamente o Brasil não escapa disso, mas se misturar um pouco do melhor dos principais “fabricantes” de comédia, o que sai? Sai o longa Estômago, de Marcos Jorge, que venceu o Festival do Rio de 2007.


O longa tem as características básicas das comédias brasileiras, novas e antigas. O excesso de palavrões, a putaria básica estão no longa, mas ficam suaves pois o filme também mergulha nos conflitos de Raimundo Nonato, um cearense que desembarca em São Paulo, como muitos, procurando uma vida melhor, vivido por João Miguel em atuação espetacular. Estômago passa pela suavidade e piadas inteligentes das comédias francesas, o pastelão americado de décadas passadas e o básico da comédia inglesa e brasileira, claro, nos passando serenidade e um lado ímpar de ver uma vida com tantos obstáculos para se passar.Tudo dirigido com muita competência. A técnica é competente também, mas não excepcional, obviamente não há duvidas que se o cinema nacional tivesse um alcance maior, o resultado do filme seria melhor ainda.

As passagens de tempo são inteligentes pelo começo, juntando o tempo que Raimundo lutava por um futuro digno e o tempo que Raimundo passou na prisão, mais tarde isso acaba virando uma edição comum mas de maneira bem pensada e sem perder ritmo para caídas de andamento, o que acontece bastante quando o roteiro é irregular.

O roteiro é muito bem elaborado e Estômago se mostra capaz de maravilhar outros povos, algo que o cinema nacional já está pronto há muito tempo, mas é subestimado, não só pelo governo federal que não investe o suficiente, mas pelo público também.


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