O Magnata
Suspeito para falar de um filme que foi escrito por Alexandre Abrão, o Chorão do Charlie Brown Jr. eu sou, admito. Mas assim como alguns críticos detonaram o filme por puro preconceito com o cantor, eu aqui, vou fugir totalmente da minha opinião sobre a música e a pessoa do músico e skatista que eu gosto. É necessário lembrar que Bráulio Mantovani colaborou no roteiro, este que adaptou Cidade de Deus e Tropa de Elite.
Ao assistir o filme, não temos um cara com aparência ruim bebendo cerveja em copo de boteco ou um cara andando de carro popular pelo interior de alguma cidade prestes a surtar e momentos de reflexão durante a exibição do filme. E sim um filme dinâmico, frenético. Temos a capital paulista trabalhada de forma espetacular, usando as luzes da cidade de forma inteligente, colaborando com a fotografia. Locações bem escolhidas, criativos takes e diálogos que muitas vezes quebram a barreira das chances de uma futura exibição em algum intercine da vida e a mensagem é um tapa na cara no último segundo do filme, mesmo com essa mensagem gritando durante todo o filme para o espectador, só percebemos nesse tal segundo final.
Nos primeiros minutos de O Magnata, somos bombardeados por uma trama que já começa frenética, sem explicações, mas durante o filme vamos nos situando. Mas o bombardeio é feito também por diálogos com gírias e palavrões que parecem avulsas e forçadas, passando um ar de canastrice absurdo, principalmente pela péssima atuação do grafiteiro Chivitz e outros figuras sem sentido.
Ao fugir das mesmice das mesmas caras do cinema nacional, algumas apostas não deram certo pois muitos que estavam debutando no cinema mostraram inexperiência. Não é o caso do também debutante diretor Johnny Araújo, que no geral, teve uma boa perfomance.
Magnata (Paulo Vilhena) e Chivitz passeam pela capital paulista planejando o roubo de uma ferrari. A mania de grandeza é presente aqui: Roubar uma ferrari? Será que é tão difícil localizar um carro assim em uma cidade como São Paulo? Os minutos que antecedem tal atitude são passados em uma espécie de Bronx, com quadra de basquete de rua e tudo mais que uma atmosfera gangueira-americana permite. Tudo obviamente com chuvas de gírias e palavrões. Até ai temos uma canastrice em forma de filme. Após o roubo do carro a história se desenrola e as coisas melhoram. E muito.
Magnata é um garoto que tem problemas na família, como a mãe alcóolatra que casou com interesse na grana do falecido pai do menino. Lugar que agora é vago, mas com o advogado da família querendo fazer o papel de padastro, com segundas intenções e é odiado por Magnata. Com a grana que o pai deixou, o muleque faz suas besteiras como sustentar sua banda de hardcore e suas noites recheadas de drogas e aventuras (sexuais ou não) todas mostradas sem pudor aqui. E essas aventuras podem ter consequências. No meio tempo, ele conhece uma menina recém chegada de NY que vai á um show de Magnata, mas o rebelde sem causa logo arruma uma confusão com a menina.
No tal roubo da ferrari nem tudo deu certo e Magnata começa a ser ameaçado por um maloqueiro, por motivo que não vou dizer aqui para não estragar a surpresa. E assim, sua vida se transforma em um inferno. Pois, Magnata ao mesmo tempo que vai descobrindo que existe uma vida melhor, quando conhece Dri melhor e se apaixona, tem constantes ameaças e informações sobre quem está por perto do menino e onde ele está. Como? Vá ao cinema.
Algumas participações especiais dão o “que” à mais do filme: Tiririca, como Elvis Brown, o hilário dono de um puteiro. Marcos Mion como o irmão otário da prima de Dri, impagável também. Milhém Cortaz, o famoso “Zero Dois” de Tropa de Elite, aparecem em papel importante para a trama. Marcelo Nova como a consciência do menino, aparece em momentos cruciais para o personagem, mostrando o conflito em carne e osso. Até a patética aparição de Marcelo D2 faz sentido na história.
Na realidade, o filme é muito bem feito e pensado, com pequenos exageros ou motivos para mostrar o skate ou o surf ou os amigos de Chorão (este que também aparece no filme), mas nada que realmente interfira ou fuja da trama. Durante a exibição notei muitas semelhanças com os filmes do diretor americano Larry Clark (Kids, Ken Park, Wassup Rockers, Bully), tirando o vouyerismo do diretor americano, obviamente. Semelhanças talvez não seja a palavra certa e sim, influências. Semelhança mesmo há com o recente e elogiado Alpha Dog. No geral, o longa não deve nada a nenhum filme gringo em aspecto de produção. Para quem gostou desses filmes citados e assistir este desprendido de preconceitos, as chances de gostar são grandes. Temos jovens inconsequentes, vivendo intensamente o dia-a-dia, sem elaborações exageradas nisso. E as consequencias de certas atitudes são mostradas de forma fria e clara e que pode sobrar para quem está por perto. Tal clareza é o coringa do filme. Um longa diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil, mas que os minutos iniciais devem ser esquecidos.
“O Magnata” Brasil, 2007 Estrelando: Paulo Vilhena, Maria Luisa Mendonça, Chico Diaz, Rosane Mulholland. Diretor: Johnny Araújo
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Tags: Cinema Nacional, Críticas





Eu adorei a crítica que você fez, acho que me deixou mais curiosa ainda sobre o filme.Ainda mais sobre a parte do tiririca…hahahah