Tropa de Elite
Por toda a polêmica criada e todo falatório, o filme “Tropa de Elite” já estréia como um gigante do cinema nacional. Normal que se crie uma expectativa maior com todo o burburinho criado por TODA a cidade, já que do taxista até o seu vizinho já assistiram a cópia pirata. Mas não é para pouco. O Filme é bem construído, não linear e tem atuações espetaculares e uma boa produção. Não posso deixar de dizer que ainda achei certas partes do longa como um seriado da Rede Globo que se mete a ser diferente e não tem sucesso (Got it?).
A narração cheia de ironias de Wagner Moura mostra o lado frio do BOPE, que são massacrados em um treinamento nada humano e assim são criados os “caveiras”. Ironia mesmo foi do destino, que mostra durante uma cena do filme onde o policial Neto, um policial que não cai nas garras da corrupção, tenta falar com o seu superior para uma compra de peças para os carros quebrados da PM, uma barraca que vende salgadinhos e cds piratas está alojada dentro do quartel. A resposta ao policial é triste.
Mas isso não é nada perto do que o filme mostra. Todas de forma poderosa, bem construídas e muito violento sem soar apelativo, pois é assim que a banda toca pelo Rio de Janeiro. A melícia, toda a corrupção que ronda a polícia, a troca de favores, interesse e os “trabalhos paralelos” são passados de uma forma chocante, que causa até uma certa vergonha para quem mora na cidade.
O Impacto que o filme causa é extraordinário e prova que o sucesso de público antes mesmo de sua estréia, tinha um porque. Milhem Cortaz e Wagner Moura são os destaques do filme. O primeiro, no papel de um policial corrupto, mas gente fina. Passando esse ar dúbio, que é o mais dificil de se fazer, impossível não dar destaque. Wagner Moura passou pelo treinamento do BOPE, foi massacrado até responder isso com um soco na cara de um treinador e virar o arisco Nascimento, exalando grosseria no trabalho, mas sofrendo as consequências disso 24 horas. Pois como ele mesmo diz no filme “Policial também tem medo de morrer”. E com problemas pessoais, como os remorsos e com o stress do trabalho e a preocupação do nascimento do seu primeiro filho, temos aqui o lado humano da história, junto com o romance do policial Matias com uma menina de classe alta que faz parte de uma ONG e esta cheia de boas intenções, mas alimenta o tráfico.
“Tropa de Elite” não deixa ninguém impune. Policiais, os traficantes, os informantes, o BOPE e principalmente a “sociedade”. Sobra para todos e as consequências são jorradas na cara do espectador. Esse é o principal motivo do sucesso do filme, que finalmente mostra a coragem de um diretor mostrando não o lado “coitado” do traficante ou do policial e muito menos da classe média/alta que consome as drogas.
TROPA DE ELITE (Idem, Brasil, 2007) Direção: José Padilha Roteiro: Bráulio Montovani Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Fernanda de Freitas. Duração: 115 min
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