Julien Donkey Boy
Harmony Korine é um diretor americano, mas nos primeiros segundos de Julien Donkey Boy, vemos o selo do movimento “Dogma 95″ que é genuínamente europeu. E o longa realmente tem as características clássicas de um filme do tal movimento, fugindo totalmente dos padrões hollywoodianos, com movimentos de câmera capaz de dar náuseas aos desavidados, atores desconhecidos (exceto Chloe Sevigne, mulher do diretor) e a imagem é bastante granulada, bem similar a uma imagem de VHS e um roteiro nada convencional e que não seria adaptado em Los Angeles nem por decreto. Este é o segundo filme do diretor e após o sucesso de Gummo, Korine resolveu inovar na sua forma alternativa de fazer filmes e caiu de cabeça na proposta do movimento onde o maior expoente é o dinamarquês Lars Von Trier (Dogville, Os Idiotas, Medea).
Korine mostra a família de Julien, que é um rapaz com problemas mentais e sempre tenta agradará todos, mas sem muito sucesso. Um pai suicída, uma irmã bailarina e deprimida e um irmão lutador que não obtem sucesso que é pressionado pelo pai a todo instante. A mãe morreu no parto do irmão mais novo e é um grande buraco na vida de Julien.
Julien tenta levar uma vida comum, mas o que se passa aoredor do rapaz destrói os planos que por força das circunstâncias (leia-se preconceito) é obrigado a viver uma vida reclusa.
Julien Donkey Boy tem amigos cegos, com problemas mentais, físicos e um rapper negro-albino. A cegueira esta presente em muitos personagens do filme, fora os que realmente tem problemas de cegueira, alguns personagens se queixam da perda da visão momentânea ou de algum problema com os olhos, mostrando que não enxergamos ao diferente e que o etnocentrismo é exercido até hoje agressivamente.
O longa peca por não seguir uma trama concreta e por muitas vezes joga gratuitamente imagens quenão se casam com a trama ou dos problemas da família de Julien, mas sem algum motivo aparente e que por muitas vezes, com a ajuda da imagem com qualidade inferior, deixa o filme cansativo. A vida do “Donkey Boy” é retratada sem julgamentos ou pré-conceitos e a metáfora da cegueira jádiz tudo.
“Julien Donkey Boy” EUA, 1999. Estrelando: Ewen Bremner, Brian Fisk, Werner Herzog, Chloe Sevigny. Diretor: Harmony Korine




