30.08.10

8º Festival Internacional de Cinema Infantil

por Pedro Tavares

Como o post anterior disse, o FICI procura ampliar a visão de cinema para os pequenos. E eu, um pequeno apenas de estatura, fui conferir a qualidade dos filmes do festival que está em sua oitava edição.  Vamos lá:

meu-amigo-storm

MEU AMIGO STORM (Storm, Dinamarca, 2009) de Giacomo Campeotto

A história de apego e amizade entre Storm, um cachorro violentado por seu antigo e sempre presente dono e Freddie, um garoto vítima de bullying evita levantar bandeiras, mas sua mensagem é clara para os mais velhos. O diretor Giacomo Campeotto se preocupa em montar uma narrativa leve envolta por uma bela plástica e boas atuações para domar a atenção do seu público alvo. Meu Amigo Storm passa longe da originalidade dentro deste segmento, mas suas qualidades são suficientes para se tornar um bom filme.

3star

iep

IEP! (Eep!, Holanda/Bélgica, 2010) de Ellen Smit

Uma menina-pássaro. A fantástica história destinada a estudar diferenças e o leque aberto a partir dessa idéia criada pela premiada roteirista Mieke de Jong não é bem aproveitada. Sobra para a diretora Ellen Smit abordar a insegurança dos pais em lidar com esta delicada situação e o instinto da pequena Birdie, que como outros pássaros, alça vôos para outras regiões durante o outono.

3star

o segredo de kells

O SEGREDO DE KELLS (Brendan and the Secret of Kells, Irlanda/França/Belgica, 2009) de Tomm Moore

Para as crianças, uma aventura fantástica. Para os adultos, uma metáfora espiritual com estrutura. Um filme recheado de elipses bem elaboradas e uma cartela de cores incrível, mas que se exalta nas reflexões sobre a vida. Uma pequena pérola.

4star

karla-e-jonas

KARLA E JONAS (Karla Og Jonas, Dinamarca, 2010) de Charlotte Sachs Bostrup

Transferir conflitos comuns da pré-adolescência sem parecer piegas é bem difícil. Trata-se de uma época conturbada, onde sentimentos, descobertas e responsabilidades se confundem à imaturidade comum da idade. Charlotte Sachs Bostrup é bem sucedida em todas as possibilidades exploradas em Karla e Jonas. Mantém a leveza necessária para entreter seu público alvo e toca em assuntos bastante delicados.

4star

o-segredo-de-eleonor

O SEGREDO DE ELEONOR (Kerity: La Maison Des Contes, França/Luxemburgo, 2009) de Dominique Monféry

O mais interessante de O Segredo de Eleonor é como Dominique Monféry junta todos os personagens de contos de fadas para fazer uma nova história. Todos os elementos de um conto infantil estão lá, na imagética e no roteiro. Envolvente e com uma mensagem bonita, o filme traz a mágica esquecida pelos novos filmes dedicados ao público infantil.

3star

o-lince-perdido

O LINCE PERDIDO (El Lince Perdido, Espanha, 2009) de Raul Garcia

Raul Garcia ganhou reconhecimento ao animar filmes da Disney como O Rei Leão e Aladdin. Natural que seu debut como diretor de longas reverbere um pouco dessas histórias, mas é justamente neste ponto que as qualidades do filme terminam. O diretor acha espaço para tratar da proteção animal numa aventura que não se sustenta por utilizar um método saturado neste tempo de reinado da Pixar.

2star

guardachuva

EU E MEU GUARDA-CHUVA (Idem, Brasil, 2010) de Toni Vanzolini

Adaptado do livro homônimo de Branco Mello, o filme de Toni Vanzolini explora vertentes distintas do cinema direcionado ao público  infantil. Características básicas das aventuras oitentistas americanas estão lá, o  humor que remete aos filmes d’O Menino Maluquinho e o contemporâneo estudo de um espaço lúdico que instiga e vai muito além da ciência também.  Ah,  o seu papel principal é comprido com excelência, que é, claro, divertir.

4star

antes20que20o20mundo20acabe

ANTES QUE O MUNDO ACABE (Idem, Brasil, 2010) de Ana Luiza Azevedo

Ana Luiza Azevedo transfere para Pedra Grande, interior do Rio Grande do Sul, a vida do protagonista Pedro que no livro homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha está em Porto Alegre para ampliar o impacto do mundo lá de fora com o pacato mundinho do garoto. Com as descobertas da adolescência, estão os conflitos familiares, a traição de amigos e claro, os traumas. Como narrativa, o filme absorve muito bem este “panorama adolescente”, mas enfrenta problemas para equivaler os dois mundos e suas diferentes visões dentro da história.

3star

24.08.10

Promoção: Festival Internacional de Cinema Infantil

por Pedro Tavares

CMK - downtown 690 x 325cm

Formar novos espectadores. Essa é a proposta maior do Festival Internacional de Cinema Infantil, que neste ano chega a sua oitava edição com sua característica maior intacta: trazer filmes para as crianças que passam longe do eixo comercial, tem conteúdo e de diversos cantos do mundo.

Com mais de 90 filmes na programação, o FICI traz na programação pré-estreias internacionais (incluindo o indicado ao Oscar O Segredo de Kells, o vencedor do Goya O Lince Perdido e Meu Amigo Storm de Giacomo Campeotto que bateu Lars Von Trier no Robert, principal prêmio de cinema da Dinamarca) e nacionais (Eu e Meu Guarda-Chuva de Toni Vanzolini e Antes que o Mundo Acabe de Ana Luiza Azevedo), filmes dublados ao vivo e retrospectivas que traz em sua versão nacional o clássico Super Colosso – A Gincana da TV Colosso, ainda inédito em DVD no país.

O festival promove atividades para crianças como a oficina de cinema de animação e o fórum Pensar a Infância, onde realizadores e incentivadores discutem o cinema destinado ao público infantojuvenil.

O Cinema O Rama sorteará cinco pares de ingressos para a 8ª edição do FICI que acontece no Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Aracaju. Veja no site do festival as datas da sua cidade e os filmes da programação.

http://www.fici.com.br

Para participar responda: “Qual  filme ganhou o Oscar de Melhor Longa-metragem de animação deste ano e está na programação do FICI?” Por favor, inserir o endereço de e-mail e seu estado após a resposta.

O resultado da promoção sai no dia 27/08, sexta-feira.

UPDATE: Os vencedores da promoção são: FÁBIO LIMA, CRISTINA BLONGREN, FABRÍCIO MODESTO, JONATHAN MELO e ALINE SOUZA. Parabéns! Entraremos em contato.

21.08.10

Cabeça a Prêmio

por Pedro Tavares

cabecapremio

Marco Ricca dispensa a tradicional sede que diretores debutantes vêm ao pote em Cabeça a Prêmio. Em execução, o diretor mostra que sabe bem o que faz.  Mas para transferir a obra de Marçal Aquino que retrata a decadência de uma família burguesa que vive graças a atividades ilegais para a tela, o roteiro problemático se sobrepõe aos olhos afiados da direção.

A impressão é que Ricca tenta justificar a presença de vários personagens e ligá-los à trama naturalmente, mas cai na armadilha da previsibilidade. Perto do epílogo, Ricca ainda corre para apresentar personagens. Para isso, a omissão de fatos é saída mais urgente e se desprende da intenção inicial, que era de seguir o caminho existencialista numa trama que inevitavelmente cai numa rede de crimes.

O grande suspiro do longa está em sequências que nos imergimos na decadência dos personagens, todos completamente contaminados por um sentimento que não sabem descrever. Cada um tem sua forma de descontar esta espécie de frustração, e assim, é possível se aproximar deles. Pena que são raros os momentos que Ricca não confunde este bons momentos com a necessidade de criar uma narrativa linear.

2half

CABEÇA A PRÊMIO (Idem, Brasil, 2009) Direção: Marco Ricca Roteiro: Felipe Braga e Marco Ricca Elenco: Fulvio Stefanini, Alice Braga, Eduardo Moscovis, Cassio Gabus Mendes Duração: 104 min

15.08.10

Os Mercenários

por Pedro Tavares

os mercenários

Chame de oportunismo, de tosco ou do que quiser. A idéia principal de Sylvester Stallone em Os Mercenários é o resgate, não só de atores, mas de uma estética de filmes de ação e o tradicional hábito escapista aliado ao gênero. Se durante a década de 90 eliminava-se um plot convincente para construir os filmes e nos últimos dez anos a grande protagonista era a pós-produção com seus efeitos especiais, a década de 80, em que o gênero se consagrou, volta como referência, com espaço para conhecermos um pouco mais de cada personagem (neste caso podemos chamar de Dream Team?) e justificar a porradaria desenfreada.

E este time formado por pilares  como Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li e Dolph Lundgren (e algumas participações especiais que prefiro não contar, mas que rendem, de longe, a melhor cena do filme) só quer saber da grana. A famosa paz mundial é ignorada e nós agradecemos por isso. Aqui vive a mais fina ironia, pois o diretor/ator faz questão de equivaler esta visão a uma mensagem de direita, em tempos de intensas brigas em Hugo Chavez e os Estados Unidos. Esta visão vai até o seu limite de sobrevivência e ganha uma nova motivação para sustentar o filme e não funciona bem.

De qualquer jeito, o prato principal – as sequências de ação – vem com câmeras tremidas, cenas brutais de mutilação que remetem ao último filme de John Rambo, tiroteios, perseguições de carros e claro, dezenas de explosões. Infelizmente, a fórmula se repete algumas vezes e cansa – muito, por sinal. Afinal, os personagens já foram apresentados, já temos o suficiente para saber o que cada um ali deseja no meio do tiroteio e o ideal é o show cinematográfico e não um aprofundamento maior nos personagens, que Stallone soube fazer muito bem na primeira metade do filme.

Os Mercenários merece ser visto muito mais pelo fato de juntar diversos protagonistas de fitas de ação de diversas épocas em um filme. Não espere uma trama grandiosa o bastante para encaixar todos eles com seu devido valor e sim como uma típica trama de ação produzida nos anos 80.

3star

OS MERCENÁRIOS (The Expendables, EUA, 2010) Direção: Sylvester Stallone Roteiro: David Callaham e Sylvester Stallone Elenco: Sylvester Stallone,  Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren Duração: 103 min

09.08.10

Análise: os cinemas do Rio de Janeiro

por Pedro Tavares

Sempre falo sobre filmes, mas nunca sobre os lugares onde passo boa parte de meu tempo livre. Pensando nisso, resolvi fazer esse post que pode servir como utilidade pública e expor minhas opiniões sobre as salas de cinema do Rio de Janeiro. Analiso programação, estado de conservação das salas e outros detalhes.

downtown

CINEMARK DOWNTOWN (Barra da Tijuca) – Segue o padrão das salas Cinemark e sua programação predominantemente blockbuster. Tem imperfeições de projeção em algumas salas (principalmente na sala 5). Óculos para 3D pesado, apesar de ser o melhor que já usei. O som das salas é bom. Apesar da programação mais pop, o Cinemark Downtown abre espaço para o Cine Cult, o Dia do cinema Brasileiro, o Festival Internacional de Cinema Infantil e o Festival do Rio.

espaco01

ESPAÇO DE CINEMA (Botafogo) – A base do grupo Estação e do Festival do Rio. É lá que cinéfilos escolhem sua programação e formam filas intermináveis para comprar ingressos em um ambiente bem agradável. Fora da época do festival, a programação também tende a oferecer filmes que não se encontram em cinemas de shopping. Projeção e som ok. A bela estrutura de fora com bombonière e livraria, não reverbera nas salas. O carpete mofado traz um cheiro desagradável e atrai bichos (não é exagero meu…). O grupo Estação promove cursos de cinema, mantém locadoras e hospeda boa parte de nossas queridas cabines.

vivo gávea

VIVO GÁVEA (Gávea) – Não parece, mas é um cinema do grupo Estação. Dentro do shopping da Gávea e com programação que tende à agenda comercial, as salas também tem estrutura modernosa com lâmpadas coloridas nas salas, mas mantém algumas tradições do grupo Estação, como as espreguiçadeiras e o ar condicionado quebrado.

espaço de cinema

ESTAÇÃO BOTAFOGO (Botafogo) – O que falta na estrutura tem na programação. Filmes ditos alternativos e sempre em continuação, para aqueles que deixam pra ver os filmes quando estão prestes a sair de cartaz. Neste cinema de rua, cadeiras e desenho da sala mantém o visual de cinema antigo.

barra point

ESTAÇÃO BARRA POINT (Barra da Tijuca) – Também com o visual antigo, o Barra Point traz à região uma programação diferenciada ao bairro que tem zilhões de shoppings e cinemas onde predominam franquias cinematográficas e comédias românticas.

laura alvim

CASA DE CULTURA LAURA ALVIM (Ipanema) – Três pequenas salas sempre com muitos filmes em circuito, geralmente aqueles que se consagraram com poucos dias em cartaz ou que merecem uma segunda chance. Agradável para quem prefere sessões tranquilas e perfeito para quem também gosta de uma sessão dupla com cinema/teatro.  As salas também o problema de carpete mofado.

cgoes23

LEBLON – Sobrevivente da matança de cinemas de rua, é preso à programação blockbuster por motivos óbvios. Infelizmente, toda sua grandiosidade não se equivale na qualidade. Na sala 1, que é imensa e belíssima, o som e a projeção ficam devendo. A sala 2, que tem projeções em 3D, a tela é grudada no teto, o mapeamento das poltronas é horrível e nas poucas sessões que fui nesta sala, ela estava sempre suja.

uci

UCI New York (Barra da Tijuca)– O cinema de shopping. Boa projeção e som. O teto das salas tem mofo pra dar e vender. Se você preza por silêncio e educação durante seu filme, fique bem longe.

kinoplex fashion mall

KINOPLEX FASHION MALL (São Conrado) – Mais um cinema de shopping. Boa projeção e som. Às vezes troca uma comédia romântica qualquer para exibir um Lars Von Trier da vida.

Cinema São Luiz 2_tela

CINE SÃO LUIZ (Largo do Machado) – Digo o mesmo sobre o São Luiz. Só não gosto dos óculos 3D de lá. São sujos.

ccbb

CCBB (Centro) – Se você não conhece, deve ter passado alguns anos em Marte. Mostras de cinema, exposições, livraria e tudo referente à arte. O som das salas é absurdo. Boa projeção também. O público às vezes é bem mala (aqueles velhos reclamões, sabe?), mas ai não é culpa do local.

via parque

VIA PARQUE (Barra da Tijuca) – Desenho de sala pitoresco (já experimentou ver um filme de lado?), programação boa para um cinema de shopping e boas promoções.

arteplex

ARTEPLEX (Botafogo) – Programação ideal, com filmes comerciais e de arte. Ótima infra-estrutura, com bombonière, livraria e restaurante. Boa projeção e som. Salas limpas e cara de grande complexo de cinema.

aud-jane

INSTITUTO MOREIRA SALLES (Gávea) – Mostras, exposições e palestras num dos locais mais bonitos do Rio. Recomendo comer algo lá mesmo e curtir o visual antes ou após o filme. O único senão é a acesso ao local, que fica no topo da Marquês de São Vicente, uma ladeira gigantesca.

05.08.10

A Origem

por Pedro Tavares

a origem

Uma pequena e óbvia analogia às possibilidades do cinema pode ser atrelada ao roteiro de A Origem. Afinal, só a sétima pode se assemelhar tanto aos sonhos. Só na tela de cinema podemos ver a materialização de um sonho em “tempo real”. Esta brecha é explorada minuciosamente por Christopher Nolan, um diretor que sempre foge de convencionalismos. O tempo, a imersão, a sensação de queda e o vespertino despertar são apenas algumas identificações que o diretor desenvolve com o espectador. Sabendo desse vasto leque de informações, Nolan dispensa a fragmentação da narrativa, mas não deixa de confundir, o que é de praxe em seus filmes.

E criar a equivalência entre a realidade e os sonhos é o tour de force do filme de Nolan. A impressionante plástica e ótimo timing para representar e desconstruir facetas distintas deste estado aumentam o impacto para configurar um filme de gênero. Envolve-se muito mais pelos aspectos citados que pela trama em si. A construção do thriller é igual a qualquer outro. Não estamos à frente de um filme de múltiplas saídas, como os de David Lynch, por exemplo.

A composição de personagens e seus conflitos são batidos e não condizem com toda originalidade do filme. Estão lá os conflitos amorosos e as mesmas motivações para os personagens se corromperem: ganância e incerteza. Fica evidente em certo momento que Nolan busca criar uma nova experiência ao espectador sem ultrapassar as fronteiras de seu conforto. Que não saia da passividade e resolva interagir com o filme. Em devidas proporções, A Origem se conclui sem fugir de um lugar comum no cinema contemporâneo.

3star

A ORIGEM (Inception, EUA/Inglaterra, 2010) Direção: Christopher Nolan Roteiro: Christopher Nolan Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard Duração: 148 min

03.08.10

400 Contra 1 – Uma história do Crime Organizado

por Pedro Tavares

400contraum3512

Caco Souza tem a idéia na cabeça e a câmera na mão. Só não sabe como formular sua história. 400 Contra 1 é baseado no livro escrito por William da Silva (vivido por Daniel de Oliveira) e repete por toda sua duração uma fórmula específica para cada segmento do longa. A trama recorta o nascimento do Comando Vermelho durante a ditadura militar durante os anos 70. No complexo carcerário da Ilha Grande, entre advogados, policiais e presos políticos, os “marginais” criaram uma cartilha ao que diz respeito ao crime organizado.

A intenção é de humanizar os personagens. Não elevá-los a status de rei ou de bandido.  E em cada época retratada, uma fórmula. E não pense que esta saída organiza o roteiro. A edição – exageradamente picotada e sem senso narrativo, não coopera. A mesma edição esmaece a veracidade dos fatos por não tratar estes mesmos personagens com a proximidade necessária para criar uma identificação. Eles não possuem conflitos e não é possível assimilar o tempo com os fatos. Em certa altura do filme fica impossível acompanhar esses relatos abstratos e ainda buscar alguma formação conflituosa para os milhares de personagens que pipocam na tela.

400 Contra 1 pode ser resumido nas patacoadas entre os chamados marginais e a polícia e a má resolvida relação entre eles e os presos políticos. Entre isso, está o rápido processo de desgaste de uma pseudo-história com um método saturado em filmes onde a violência está em primeiro plano.

O filme estreia nesta sexta-feira (6).

1star

400 CONTRA 1 – UMA HISTÓRIA DO CRIME ORGANIZADO (Idem, Brasil, 2010) Direção: Caco Souza Roteiro: Victor Navas e Julio Ludemi Elenco: Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Jonathan Azevedo, Jefferson Brasil Duração: 100 min

01.08.10

Em DVD: Lançamentos de Agosto

por Pedro Tavares

DIREITO DE AMAR (A Single Man, EUA , 2009) de Tom Ford

O furacão de sentimentos exibidos por Tom Ford em Direito de Amar é devastador. Trata-se de um filme rico em metáforas para conduzir o sentimento de perda do protagonista George Falconer, vivido com excelência por Colin Firth. O filme erra a mão quando tenta frustradamente, por diversas vezes, criar diálogos que possam clarear o que Ford já havia dito muito bem apenas com a câmera.

3star

DUPLA IMPLACÁVEL (From Paris With Love, França, 2010) de Pierre Morrel

A ilusória luta antiterrorismo americana ganha perspectiva máxima dos clichês de filmes de ação em roteiro escrito por Luc Besson: good cop/bad cop, explosões, edição frenética e um bom ponto de virada no final. Como escapismo, faz bem seu papel. Como mensagem política, um fiasco.

3star

PROCURANDO ELLY (Darbareye Elly, Irã, 2009) de Asghar Farhadi

Um fim de semana entre amigos em frente à praia vira uma tragédia sem limites quando a amedrontada Elly some sem deixar rastros. Conhecemos a vida dela em informações jogadas no roteiro. Uma teia de mentiras é criada para sustentar o evento longe dos familiares da professora. A câmera de Farhadi é espectadora voraz da tensão exposta com maestria pelos atores, que não permitem que o filme – calçado nos diálogos – perca o ritmo.

3star

O PRIMEIRO MENTIROSO (The Invention of Lying, EUA, 2009) de Ricky Gervais e Matthew Robinson

A premissa é bastante interessante: vivendo numa cidade onde a mentira não existe, Mark Bellison (o próprio Gervais) descobre através da lorota um bom jeito de ser bem sucedido na sua carreira de roteirista. O filme começa bem, abusa do cinismo para tirar sarro da indústria cinematográfica, mas engata em um drama insosso e perde o bom ritmo inicial.

2star

remember-me-2010

LEMBRANÇAS (Remember Me, EUA, 2010) de Allen Coulter

Allen Coulter não sabe o que fazer com o roteiro de Lembranças. Permeia boa parte do filme com um retrato social que envolve disfuncionalidade, traumas e brigas familiares. Depois, um romance é a prioridade das câmeras do diretor, que logo volta à análise social para encerrar com um dos finais mais pretensiosos dos últimos tempos. Resultado: não funciona como nada.

1star

Outros lançamentos: Zona Verde, Fúria de Titãs, Quincas Berro D’Água

28.07.10

O Bem Amado

por Pedro Tavares

bem amado

O Bem Amado é exatamente aquilo que se propõe a ser: novelesco. Sem ousadias técnicas, entrega – sabiamente, diga-se de passagem – o filme aos atores. Guel Arraes busca somente a aura nostálgica da novela escrita por Dias Gomes e exiba pela Rede Globo em 1973. Considera-se que a novela tem diversos meses e o filme, 110 minutos. A enxurrada de personagens, apesar de ligados sempre à figura de Odorico Paraguaçu não parecem acertados o bastante para serem considerados parte uma trama paralela. São apenas escadas que funcionam por certo tempo.

O roteiro também escrito por Arraes compara o mandato de Odorico ao de João Gullart, deposto pelo Golpe Militar em 1964. Visto pelo lado cômico, obviamente, essa é a tirada mais valiosa do filme por explorar outras particularidades desta uma época e assim justificá-las. Mas o filme não se sustenta em tiradas, pelo contrário. O filme tem nome e sobrenome: Marco Nanini.

A figura de Odorico Paraguaçu por mais pitoresca que seja não seguraria um filme se não estivesse apoiado em um grande ator. E lá está Nanini para reviver um de seus grandes papéis no teatro (na TV, o prefeito/ladrão foi representado por Paulo Gracindo, o que eleva à décima potência na dificuldade do trabalho de Nanini). Com aquele jeito peculiar de falar e o extraordinário “mérito” de manipular as pessoas, Nanini, ops, Paraguaçu toma o filme para si e personaliza o político cara-de-pau daquele tempo. Bom, de qualquer tempo, infelizmente.

2star

O BEM AMADO (Idem, Brasil, 2010) Direção: Guel Arraes Roteiro: Guel Arraes e Cláudio Paiva Elenco: Marco Nanini, Andrea Beltrão, Matheus Nachtergaele, Caio Blat Duração: 110 min

21.07.10

Coberturas: Descobrindo o Cinema Filipino e SP Terror

por Pedro Tavares

Curadores de mostras de cinema merecem respeito e admiração. Independente do gênero e do público alvo dá um trabalho do cão produzir grade, catálogo, folders selecionar os filmes e aturar espectadores malas. Tento prestigiar essas mostras ao máximo, mas às vezes o tempo e/ou o dinheiro não permite(m).  Fica aqui os parabéns aos organizadores da Mostra Descobrindo o Cinema Filipino (Leonardo Levis e Raphael Mesquita) e do SP Terror (Betina Goldman, João da Terra Marconato, Alexandre Nakahara e Vitor Meloni). Abaixo, uma pequena cobertura sobre o que aconteceu e os filmes.

DESCOBRINDO O CINEMA FILIPINO

Por Pedro Tavares

Infelizmente não tive tempo suficiente para prestigiar muitos filmes da mostra. Dei prioridade aos filmes de Brillante Mendoza, que havia perdido na Mostra Indie do ano passado. Muito se fala sobre Mendoza e seu merecido prêmio no Festival de Cannes em 2009 por Kinatay e seu particular registro de um cotidiano caótico das ruas filipinas. Minhas breves impressões sobre os filmes vistos:

serbis

SERBIS (Filipinas/França, 2008)

Rico em analogias referentes ao apreço pela influência que o cinema pode ter na vida de uma pessoa, Brillante Mendoza abrange esse assunto para, de forma implícita, abordar a importância, a manipulação e o futuro da sétima em uma trama que pouco tem a ver com ela. O cotidiano de uma família que cuida e mora nas dependências de um cinema pornô é visto com distância por Mendoza. O modelo documental é adotado pelo diretor que não se acanha em assumir a presença da câmera e explicitar a representação de um cenário. Discutem-se as regras, as morais e as necessidades de sobrevivência em um país carente sem tratamento narrativo. O caos é representado por um só elemento: o som.

4star

kinatay

KINATAY (Filipinas/França, 2009)

Mesmo com uma trama concentrada num brutal crime, a tensão sugerida por Kinatay é absolutamente sensorial graças à ótima direção de Mendoza. Longas sequências, fotografia escura, uma sufocante proximidade à seu protagonista (que vai de bom moço a vilão em poucos minutos) e a simultânea distância à discussão de motivações para o assassinato realçam esta intenção. A preocupação está em realizar a imersão nas emoções de seu personagem principal, que paga por dizer “sim”. Seja na hora de casar ou de ser espectador de atos perversos. O caos dessa vez é interno, mas pode ser representado igualmente pelo cotidiano sempre captado pelas câmeras de Mendoza.

4star

lola

LOLA (Filipinas/França, 2009)

Aparentemente devastadas pelo mesmo evento em dois pólos extremos, duas senhoras buscam a redenção através do dinheiro. Mendoza deixa em aberto as emoções de suas protagonistas. Em pouquíssimos momentos elas deixam vazar o que sentem em relação ao que aconteceu (uma é avó de um garoto assassinado e a outra, a avó do assassino). Ambas parecem dormentes à situação, pois o presente vem em doses cavalares de crueldade. É justamente neste ponto que o diretor cria toda a riqueza de seu filme.

4star

A Mostra “Descobrindo o Cinema Filipino” segue para Brasília, onde fica de 13 de Julho a 1º de Agosto.

DESMEMBRANDO O  SP TERROR

Por Luciana dos Anjos

SPTERROR Survival of the Dead, de George A. Romero

No início do mês aconteceu a 2ª edição do SP Terror, festival dedicado ao cinema fantástico e ao cinema de horror, gênero que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado, seja em DVD ou nas salas de cinema. O  SP Terror aconteceu simultaneamente no Reserva Cultural e no Cinesesc Paulista e, durante uma semana  trouxe cerca de 30 produções, incluindo diversos filmes produzidos na América Latina.

Em meio a filmes internacionais e brasileiros, longas e curtas-metragens, a programação deste ano trouxe o aguardado Survival of the Dead, de George Romero. O sexto filme da saga que o diretor iniciou nos anos 60 com The Night of the Living Dead, lotou a primeira sessão da Reserva Cultural na sexta-feira (01/08). O filme sensação em festivais ao redor do mundo teve uma distribuição atípica nos EUA, estreou primeiro em Video-on-Demand e só em maio deste ano entrou em cartaz no país.

SPTERROR Marcas do Terror, de Takashi Miike

O Cinesesc teve programação dedicada apenas para filmes do  diretor japonês Takashi Miike, ótima oportunidade para fãs do gênero que não conheciam a fundo sua obra. Filmes como o surreal Visitante Q, Gozu e da série Master of Horror, Marcas do Terror, foram exibidos ao longo do festival.

No último dia de festival, um dos carros-chefe da programação ficou por conta da exibição do até então inédito À Prova de Morte, do diretor americano Quentin Tarantino, que estreou no Brasil com três anos de atraso: primeiro no festival e, depois, entrou em circuito. O filme de Tarantino faz parte do projeto Grindhouse, uma sessão dupla que trouxe o já disponível em DVD Planeta Terror, de Robert Rodriguez.

Entre outros filmes, destaque para The Crazies, A Epidemia, Ingrid e O Sinistro provaram que o gênero está em ascensão.  O evento também incluiu a exibição fechada do espanhol REC 2 – que deve chegar ao Brasil ainda neste semestre – e uma pequena programação de curtas.  Paulistanos aficcionados por cinema de horror certamente prestigiaram o festival e já estão no aguardo do próximo!

Ver post anteriores

e-mail: contato@cinemaorama.com | rss inscrever-se